Os preços da soja tiveram mais uma semana positiva nas principais praças do país. A alta do dólar frente ao real vem suplantando as perdas nos contratos futuros da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). O câmbio não está garantindo apenas preços firmes, mas também está assegurando um melhor fluxo de negócios.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 67,00 para R$ 67,50 entre os dias 12 e 19 de março. Em Cascavel (PR), a cotação seguiu na casa de R$ 61,00. Em Rondonópolis (MT), a cotação passou de R$ 59,30 para R$ 61,00.
Houve alta também em Dourados (MS), com a soja pulando de R$ 58,00 para R$ 60,00 no período. Em Rio Verde (GO), a cotação subiu do patamar de R$ 62,00 na semana passada para R$ 63,50, na quinta, 19.
Os preços domésticos encontram sustentação no câmbio. A moeda norte-americana subiu 4% no período, encerrando a quinta a R$ 3,29. Durante o dia chegou a superar a casa de R$ 3,30, atingindo os melhores níveis desde abril de 2003.
A compra de dólares parece um porto seguro para os investidores. A crise política e as incertezas quanto ao sucesso do ajuste fiscal do governo motivam essa corrida ao dólar comercial. Com o real fraco, os produtos de exportação do Brasil, como a soja, tornam-se muito competitivos e, por isso, a sustentação interna nos referenciais da commodity.
Os ganhos só não são maiores porque os preços internacionais não contribuem. Os contratos com vencimento em maio recuaram 0,7% na semana em Chicago. Durante o período, a soja bateu no menor patamar desde 10 de outubro,pressionada por um cenário fundamental extremamente negativo.
O mesmo câmbio que favorece o Brasil prejudicam as exportações
americanas, em meio a um período em que o foco dos compradores se volta ao
mercado da América do Sul. Brasil e Argentina encaminham safras recordes e o aumento da oferta mundial pesa sobre as cotações da soja em Chicago.
