MERCADO: Dólar em baixa reprime movimentação com soja no Brasil

Porto Alegre, 8 de março de 2016 – Mesmo com o bom desempenho de
Chicago, o mercado brasileiro de soja segue parado nas principais praças do
país. A queda do dólar impede qualquer reação mais consistente nos preços e
na comercialização doméstica.

Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos seguiu em R$ 72,50. Na região das
Missões, o preço permaneceu em R$ 72,50. No porto de Rio Grande, as
cotações recuaram de R$ 77,50 para R$ 76,50.

Em Cascavel, no Paraná, o preço estabilizou em R$ 69,00. No porto de
Paranaguá (PR), a saca passou de R$ 76,00 para R$ 75,50.

Em Rondonópolis (MT), a saca estabilizou em R$ 64,00. Em Dourados (MS), a
cotação ficou em R$ 62,00. Em Rio Verde (GO), a saca permaneceu em R$ 62,00.

Chicago

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago
(CBOT) fecharam a terça-feira com preços mais altos. O mercado tenta se
posicionar frente ao relatório do USDA, que será divulgado amanhã. Vendas por
parte de exportadores privados americanos contribuíram para a alta, que só
não foi mais acentuadas devido aos fracos números para as importações
chinesas.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deverá apresentar
uma pequena elevação na sua projeção para os estoques finais americanos em
2015/16. O relatório de março será divulgado nesta quarta, 9, às 14hs.

Analistas consultados por agências internacionais projetam estoques de 457
milhões de bushels, o equivalente a 12,437 milhões de toneladas. Em
fevereiro, o USDA indicou estoques em 450 milhões de bushels ou 12,246
milhões de toneladas. Em 2014/15, os estoques ficaram em 191 milhões de
bushels – 5,198 milhões de toneladas.

Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial, a previsão do mercado
é de um aumento nos estoques mundiais da oleaginosa, passando de 80,4
milhões para 81 milhões de toneladas. No ano passado, os estoques ficaram
em 77,1 milhões de toneladas.

A aposta dos investidores é de revisão para cima na safra dos dois
principais produtores de soja da América do Sul. Para o Brasil, a indicação
é de safra passando de 100 milhões para 100,2 milhões de toneladas. Na
Argentina, a estimativa deverá passar de 58,5 milhões para 59 milhões de
toneladas.

Hoje o USDA anunciou a venda de 110 mil toneladas para a China por parte de
exportadores privados para a temporada 2016/17. Outras 140 mil toneladas foram
vendidas para destinos não revelados para 2015/16.

As importações de soja em grão da China totalizaram 4,51 milhões de
toneladas em fevereiro, com recuo de 20,3% sobre igual mês de 2015. Os dados
são da Administração Geral de Alfândegas e Portos da China.

Em janeiro, as importações somaram 5,66 milhões de toneladas. No
acumulado do ano, as compras chinesas somam 10,17 milhões de toneladas. O
país asiático é o maior comprador de soja do mundo. Os principais abastecedores
dos chineses são Estados Unidos, Brasil e Argentina.

Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com alta de 2,75
centavos de dólar, a US$ 8,84 1/2 por bushel. A posição julho teve cotação
de US$ 8,90 por bushel, ganho também de 2,75 centavos.

Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com ganho de US$ 1,70
por tonelada, sendo negociada a US$ 272,80 por tonelada. No óleo, os contratos
com vencimento em maio registravam preço de 31,14 centavos de dólar,
retração de 0,03 centavo ante o fechamento anterior.

Câmbio

O dólar comercial encerrou as negociações em baixa de 1,47%, cotado a R$
3,7380 para compra e a R$ 3,7400 para venda. Durante o dia, a moeda
norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,7330 e a máxima de R$ 4,8040.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS