GRÃOS: Produção brasileira e do MT deve crescer nos próximos 5 anos – IMEA

São Paulo, 29 de agosto de 2016 – A produção brasileira de grãos
deverá saltar de 212 milhões para 236 milhões de toneladas entre 2016/17 e
2020/21. No Mato Grosso, principal estado produtor, a safra deverá passar de 55
milhões para 69 milhões de toneladas. As projeções foram divulgadas pelo
superintendente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola (IMEA), Daniel
Latorraca, durante o VI Congresso Brasileiro de Fertilizantes.

“As projeções para o agronegócio são positivas. O Brasil tende a se
consolidar como um dos grandes players mundiais do setor nos próximos cinco
anos”, frisou o superintendente. Ele ressalvou que a confirmação destas
previsões depende de uma série de fatores, entre eles o esclarecimento da
questão da formatação do crédito ao produtor, que tende a passar cada vez
mais dos recursos oficiais para a iniciativa privada.

No caso do Mato Grosso, Latorraca apoia suas estimativas na tendência cada
vez mais evidente da transferência de áreas de pastagem para a produção de
soja e milho. Em termos de logística, o analista mostra-se otimista com o
barateamento do frete e a utilização cada vez maior do Arco Norte para escoar
a safra mato-grossense. “Na temporada passada, 29% da produção foi escoada
via portos do norte. Este número deverá passar a 50% nas próximas três
temporadas”, aposta.

Para o superintendente do IMEA, a consolidação destes dados passa também
pela avaliação da competitividade do Brasil na comparação com seus
principais concorrentes. “Com a política de desoneração do novo presidente
da Argentina, o país vizinho deve ganhar espaço. No caso dos Estados Unidos, a
vantagem que temos é o menor custo com o arrendamento de terras”, disse.

Outro motivo de preocupação é o aumento contínuo dos custos com
tecnologia, principalmente o maior número de aplicações de defensivos. Hoje,
segundo Latorraca, o produtor gasta mais com agroquímicos do que com
fertilizantes.

Em contrapartida, Latorraca vê como garantida a maior demanda mundial por
alimentos, principalmente por parte da Ásia. “Teremos abertura de novos
mercados, principalmente para a cadeia de carnes do Brasil”, concluiu o
superintendente, alertando para os maiores riscos para a renda rural do país,
aliando custos altos e pouca cobertura do seguro rural.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS