SEMANA: Dólar sustenta soja no Brasil e dá ritmo aos negócios em março

O mês de março foi positivo para o mercado brasileiro de soja. Os preços subiram nas principais regiões de comercialização do país e o ritmo dos negócios ganhos ritmo, motivado por uma taxa de câmbio extremamente favorável. O desempenho só não foi ainda melhor devido às perdas acumuladas na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).

A saca de 60 quilos subiu de R$ 64,00 no início do mês para R$ 67,00 na quinta, 26, na região de Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 61,00 para R$ 64,00 no mesmo período. Em Rondonópolis (MT), a cotação avançou de R$ 55,00 para R$ 60,00. Em Dourados (MS), o preço pulou de R$ 57,00 para R$ 60,00, enquanto em Rio Verde (GO), a saca saltou de R$ 59,00 para R$ 63,00.

A sustentação do mercado foi garantida pela valorização de 12,9% do
dólar comercial frente ao real, o que deu competitividade ao produto brasileiro no mercado internacional. O quadro de incertezas na política e na economia do país estão fazendo com que os investidores corram para compras a moeda americana e os produtos de exportação do Brasil, como a soja, são favorecidos.

Outro pilar para a formação dos preços domésticos, a Bolsa de Chicago
não colaboram para a elevação dos referenciais no Brasil. Os contratos com
vencimento em maio, os mais negociados, acumularam uma perda de 5,5% em março, reflexo do impacto negativo imposto por um quadro fundamental que aponta para uma superoferta mundial da oleaginosa.

Com mais da metade da safra colhida, a produção brasileira será a maior da história, estimada em 94,4 milhões de toneladas por SAFRAS & Mercado. A colheita na Argentina teve início na última semana do mês e as projeções também são de safra recorde.

Também é fato que os Estados Unidos colheram no ano passado a safra
histórica de 108 milhões de toneladas. Mesmo com preços menos atrativos, os produtores americanos deverão novamente optar por cultivar soja nesta
temporada, já que as cotações são melhores que as do milho. O mercado
trabalha com área recorde nos estados produtores americanos.

Decisivo para a indicação de tendência para o mercado futuro no curto e no médio prazo, o relatório de intenção de plantio do Departamento de
Agricultura dos Estados Unidos (USDA) será divulgado na terça, 31. Analistas consultados por agências internacionais indicam que o número deverá ficar em 85,92 milhões de acres, superando os 83,7 milhões do ano anterior.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS