SOJA: Mercado observa clima sobre lavouras da América do Sul – SAFRAS

   Porto Alegre, 30 de dezembro de 2020 – Acompanhe abaixo os fatos que deverão merecer a atenção do mercado de soja na semana que vem. As dicas são do analista da SAFRAS Consultoria, Luiz Fernando Roque.

– O mercado de soja encerra o ano de 2020 ainda de olho em fatores fundamentais ligados à oferta e à demanda. O clima para o desenvolvimento da nova safra sul-americana permanece como o principal fator. Além disso, movimentos da demanda chinesa no mercado internacional e a situação dos estoques norte-americanos também chamam a atenção. No lado financeiro, o avanço da vacinação contra o novo coronavírus é o foco para as próximas semanas.

– A situação climática para o desenvolvimento da nova safra do Brasil e da Argentina mantém os players em Chicago atentos. O clima nas últimas semanas do ano foi pouco úmido na maior parte das principais províncias produtoras da Argentina, assim como no Rio Grande do Sul. Embora ainda seja cedo para definições nestas regiões, o alerta deve permanecer redobrado devido à incidência do fenômeno La Niña, que pode ter seu auge entre os meses de janeiro e fevereiro. Se o clima continuar pouco favorável, Chicago continuará encontrando suporte. Caso o clima melhore com a chegada de chuvas mais regulares, Chicago pode ter espaço para correções negativas, mesmo que pontuais.

– Ainda no lado da oferta, o encerramento da greve de trabalhadores portuários e de indústrias esmagadoras na Argentina pode tirar um pouco do fôlego de curto prazo dos contratos futuros com a retomada das exportações argentinas de subprodutos de soja em foco. Mesmo assim, a Argentina parece perder, cada dia mais, sua credibilidade no mercado internacional. Compradores tendem a evitar países com problemas de escoamento, além dos problemas econômicos e cambiais já conhecidos. Os produtos do Brasil e dos EUA tendem a ser beneficiados neste ambiente.

– No lado da demanda, o aperto cada vez maior nos estoques norte-americanos de soja diante de uma forte demanda por exportação e uma forte demanda interna para esmagamento continua sendo um fator importante de suporte para os próximos meses. Estamos falando dos menores estoques dos EUA em cinco temporadas. O atraso na entrada da safra brasileira deve continuar beneficiando a demanda de outros países por soja norte-americana, pelo menos até final de janeiro.

– No lado financeiro, o avanço da vacinação ao redor do mundo traz um ambiente mais favorável ao mercado de renda variável, o que inclui a Bolsa de Chicago. Diante disso, neste momento não temos pressão negativa vindo do lado financeiro, o que abre espaço para a continuidade de compras por parte de grandes fundos.

     Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS

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