Porto Alegre, 8 de março de 2019 – A pouca movimentação de hoje no
mercado brasileiro de soja ocorreu na parte da manhã, antes da divulgação do
relatório do USDA. Ainda no embalo do ritmo da quinta, cerca de 50 mil
toneladas trocaram de mãos no Mato Grosso, quando os preços subiram.
Na parte da tarde, o cenário mudou. Chicago, dólar e prêmios recuaram,
afastando os produtores do mercado. A comercialização travou e os preços
cederam em algumas praças.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos baixou de R$ 74,00 para R$ 73,00.
Na região das Missões, a cotação caiu de R$ 73,00 para R$ 72,00 a saca. No
porto de Rio Grande, preços estabilizaram em R$ 78,00.
Em Cascavel, no Paraná, o preço permaneceu em R$ 73,00. No porto de
Paranaguá (PR), a saca passou de R$ 79,50 para R$ 78,50.
Em Rondonópolis (MT), a saca avançou de R$ 69,00 para R$ 70,00. Em
Dourados (MS), a cotação seguiu em R$ 70,50. Em Rio Verde (GO), a saca
baixou de R$ 70,00 para R$ 68,50.
Comercialização
A comercialização da safra 2018/19 de soja do Brasil envolve 42,9% da
produção projetada, conforme relatório de SAFRAS & Mercado, com dados
recolhidos até 8 de março. No relatório anterior, com dados de 8 de
fevereiro, o número era de 38,4%.
Em igual período do ano passado, a negociação envolvia 43,5% e a média
para o período é de 50,3%. Levando-se em conta uma safra estimada em
115,402 milhões de toneladas, o total de soja já negociado é de 49,486 milhões
de toneladas.
Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Evandro Oliveira, o ritmo da
comercialização seguiu lento no período. “Fatores como o Carnaval e os
preços pouco atrativos afastaram os vendedores do mercado”, completa.
Colheita
A colheita de soja atinge 52,1% da área estimada, conforme levantamento
de SAFRAS & Mercado, com dados recolhidos até 8 de março. Houve avanço de
7,1 pontos percentuais no comparativo com a semana anterior, quando a colheita
era de 45%. Os trabalhos estão adiantados em relação a igual período do ano
passado (45,7%), e também à frente da média para o período, de 46,4%.
Chicago
Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago
(CBOT) fecharam a sexta-feira com preços mais baixos. Em dia de relatório
neutro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a decepção
com o volume de soja americana comprada pela China determinou mais um dia
de perdas, acentuada a baixa da semana para 2,05%.
O mercado apostava que os chineses comprariam até 2,5 milhões de
toneladas hoje. Mas o volume anunciado pelo USDA ficou bem a abaixo: 664 mil
toneladas.
O relatório de março do USDA reduziu sua estimativa para os estoques
finais americanos de soja na temporada 2018/19. A previsão para a produção
foi mantida.
A produção 2018/19 está estimada em 4,544 bilhões de bushels, ou 123,7
milhões de toneladas. Os estoques finais em 2018/19 estão projetados em 900
milhões de bushels, o equivalente a 24,5 milhões de toneladas, contra 910
milhões de bushels estimados em fevereiro – 24,76 milhões. O mercado
trabalhava com um número de 898 milhões de bushels, ou 24,44 milhões de
toneladas.
O USDA projetou safra mundial de soja em 2018/19 de 360,08 milhões de
toneladas. No relatório anterior, o número era de 360,99 milhões. Os estoques
finais foram elevados de 106,72 milhões de toneladas para 107,17 milhões. O
mercado esperava por estoques finais de 106,3 milhões de toneladas.
A projeção do USDA aposta em safra americana de 123,66 milhões de
toneladas, repetindo o relatório anterior. Para o Brasil, a previsão é de uma
produção de 116,5 milhões de toneladas, abaixo das 117 milhões de toneladas
previstas em fevereiro, porém superando a previsão do mercado, de 115,4
milhões.
A previsão para a Argentina foi mantida em 55 milhões de toneladas. O
mercado apostava em número de 55,2 milhões. Pelo lado da demanda, o USDA
manteve estimativa de 88 milhões de toneladas.
Os contratos da soja em grão com entrega em maio fecharam com baixa de
6,75 centavos de dólar ou 0,74%, a US$ 8,95 3/4 por bushel. A posição julho
teve cotação de US$ 9,09 por bushel, perda de 6,75 centavos ou 0,73%.
Nos subprodutos, a posição maio do farelo fechou com baixa de US$ 2,60 ou
0,84%, sendo negociada a US$ 303,70 por tonelada. No óleo, os contratos com
vencimento em maio fecharam a 29,65 centavos de dólar, com perda de 0,02
centavo ou 0,06%.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão de hoje com queda de 0,36%, sendo
negociado a R$ 3,8720 para venda e a R$ 3,8700 para compra. Durante o dia, a
moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 3,8510 e a máxima de R$
3,9040. Na semana, o dólar comercial registrou alta de 2,37%.
Agenda de segunda
– China: O índice de preços ao consumidor de fevereiro será publicado no
final de semana pelo departamento de estatísticas.
– China: O índice de preços ao produtor de fevereiro será publicado no final
de semana pelo departamento de estatísticas.
– Alemanha: O resultado da balança comercial e do balanço de pagamentos de
janeiro será publicado às 4h pelo Destatis.
– Alemanha: A produção industrial de janeiro será publicada às 4h pelo
Ministério de Economia e Tecnologia.
– Boletim Focus, com projeções do mercado financeiro para a economia
brasileira – Banco Central (BC), a partir das 8hs.
– Inspeções de exportação semanal dos EUA – USDA, 13hs.
– Balança comercial da primeira semana de março – MDIC, 15hs
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
