Esteio, 30 de agosto de 2017 – No ciclo de palestras “Desafios e
Oportunidades – O que o Produtor Gaúcho Pode Esperar das Safras 2017/2018”,
promovido pela Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado do Rio
Grande do Sul (FecoAgro/RS), nesta terça-feira (29), na Expointer, em Esteio
(RS), o consultor de SAFRAS & Mercado, Luiz Fernando Roque, destacou que os
preços internacionais da soja tendem a ficar pressionados na safra 2017/18, por
conta da expectativa de uma ampla oferta global da oleaginosa.
O consultor disse que a curva de preços da soja na Bolsa de Mercadorias de
Chicago caiu consideravelmente nos últimos anos e ficou menos volátil após
uma sequência de supersafras norte-americanas de soja e de aumentos de
produção no Brasil e na Argentina, os três maiores produtores mundiais.
“Desde 2014 a curva de preços em Chicago tem oscilado entre US$ 9,00 e US$
11,00 por bushel”, comenta.
Roque salienta que nos últimos anos os Estados Unidos, Brasil e Argentina,
que respondem por 80% da produção mundial de soja, contribuíram
decisivamente para elevar a oferta global de oleaginosa, de 240,3 milhões de
toneladas em 2011/12, para 351,7 milhões de toneladas em 2016/17. “Foi um
aumento muito expressivo, de 46%. No período houve um incremento na oferta
global de 111 milhões de toneladas de soja, das quais 96 milhões oriundas da
produção do Brasil (45 milhões de toneladas, Estados Unidos (33 milhões de
toneladas) e Argentina (18 milhões de toneladas)”, detalha.
Por conta da grande ampliação da oferta, os estoques mundiais de soja
cresceram 82% nos últimos cinco anos. “Eles subiram de 53,3 milhões de
toneladas em 2011/12 para 97 milhões de toneladas na temporada 2016/17”,
disse. Pelo lado da demanda a China foi o mercado que mais importante em
termos de aquisições, ampliando suas compras em 54% no período, de 59,2
milhões de toneladas na temporada 2011/12 para 91 milhões de toneladas na
temporada 2016/17.
Para a temporada 2017/18, Roque acredita que a tendência é de que a curva
de preços em Chicago siga pressionada novamente pela expectativa de uma
ampla oferta global de soja, puxada pelos Estados Unidos e Brasil. “Havia uma
incerteza com relação à safra norte-americana, por conta de problemas
climáticos, mas os números de agosto do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos apontaram que a produção deverá chegar a 119,2 milhões de
toneladas, um novo recorde. O Crop Tour da Pro Farmer também apontou uma
produção recorde, de 117,8 milhões de toneladas”, detalha.
Para o Brasil, ainda que o plantio não tenha iniciado, SAFRAS & Mercado
trabalha com uma expectativa de área recorde de soja, de 35,5 milhões de
hectares, ocupando áreas cultivadas com milho. “Haveria um crescimento de 5%
ante 2016/17, o que levaria a um potencial de produção superior a 113 milhões
de toneladas de soja”, analisa.
Em termos de demanda, a expectativa é de que a China continue com um forte
movimento de compras em 2017/18, podendo adquirir volumes da ordem de 94
milhões de toneladas de soja. “Esse mercado deve ser muito positivo para o
Brasil, fazendo com que país atinja um novo recorde nas exportações de
oleaginosa”, conclui.
Arno Baasch (arno@safras.com.br) / Agência SAFRAS
