Porto Alegre, 5 de julho de 2017 – O mercado brasileiro de trigo começa
a dar sinais de ajuste em relação às recentes movimentações no mercado
internacional. O primeiro sinal disso é a postura defensiva do lado dos
vendedores que possuem lotes remanescentes da safra velha. Esse
comportamento ainda não se reverte em elevação dos preços de comercialização
porque, na outra ponta, as indústrias seguem sem grandes necessidades de
compras imediatas.
Além de uma safra nacional 2016/17 cheia e, de um modo gera, de boa
qualidade, os moinhos compraram grandes volumes no mercado internacional.
Entre agosto de 2016 e maio de 2017 o Brasil importou 6,122 milhões de
toneladas em grãos de trigo. Esse é o maior volume já adquirido pelo país
no período.
O retorno da Argentina à cena global como grande exportador, tendo
produzido mais de 18 milhões de toneladas, possibilitou que a indústria
brasileira adquirisse, somente nesse parceiro do Mercosul 3,8 milhões de
toneladas do cereal. Para que os preços internos iniciem efetivamente uma
reação é necessário que os preços na Argentina se ajustem às indicações
das Bolsas norte-americanas. Nesta quarta-feira as indicações de compra
oscilaram entre R$ 660,00 e R$ 680,00 a tonelada no Rio Grande do Sul.
Chicago
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo registrou preços
mais altos. Após os recentes e acentuados ganhos, o mercado optou por realizar
lucros na maior parte da sessão, retornando ao território positivo no fim do
pregão.
Para parte do mercado, os efeitos do clima seco e das temperaturas elevadas
sobre as lavouras americanas já estão precificados e, por isso, a opção foi
por embolsar parte dos ganhos acumulados recentemente.
As previsões climáticas continuam desfavoráveis. Os boletins indicam
temperaturas entre 37 e 38 graus para o norte das Planícies dos Estados Unidos,
importante região produtora.
O relatório de condições das lavouras do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA) indicou piora no índice de boa a excelente condição.
Para o trigo de inverno, o percentual baixou de 49% para 48%. Para o cereal de
primavera, recuou de 40% para 37%. O mercado apostava em corte de 2 pontos.
Os contratos com entrega em setembro eram cotados a US$ 5,60 por bushel,
com ganho de 5,00 centavos de dólar, ou 0,9%, em relação ao fechamento
anterior. Os contratos com entrega em dezembro eram negociados a US$ 5,80,
alta de 6,00 centavos de dólar, ou 1,04%.
Câmbio
O dólar comercial fechou a sessão com baixa de 0,45%, cotado a R$ 3,2930
para compra e a R$ 3,2950 para venda. Durante o dia, a moeda norte-americana
oscilou entre a mínima de R$ 3,2930 e a
máxima de R$ 3,3320.
Agenda de quinta
– Eurozona: a ata da reunião de política monetária do Banco Central Europeu
(BCE) no dia 8 de junho será publicada às 8h30.
– Projeções de produção mundial de grãos – AMIS/FAO, início do dia.
– A Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) realiza novos leilões de PEP
(Prêmio de Escoamento do Produto) e de PEPRO (Prêmio Equalizador Pago ao
Produtor) A oferta total nas operações será de 900 mil toneladas.
– EUA: o resultado da balança comercial de maio será publicado às 9h30 pelo
Departamento do Comércio.
– Dados de produção e exportação de veículos e máquinas agrícolas –
Anfavea, a partir das 11hs.
– Estoques de petróleo semanais dos EUA, às 12hs.
– Desenvolvimento das lavouras da Argentina – Bolsa de Cereais de Buenos
Aires, às 15hs.
– Dados das lavouras no Rio Grande do Sul – Emater, na parte da tarde.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
