Porto Alegre, 10 de agosto de 2016 – A China irá incentivar a
comercialização de soja geneticamente modificada nos próximos cinco anos em
busca de um aumento na eficiência de seu setor produtivo, potencialmente
elevando a produção do grão no país que é seu maior importador e
consumidor.
A China, que já gastou bilhões de dólares pesquisando sementes
transgênicas, aceita a biotecnologia na produção de algodão, mas ainda não
autorizou o cultivou de qualquer variedade geneticamente modificada para grãos
alimentícios, devido a temores de consumidores sobre riscos à saúde.
No seu mais recente plano de cinco anos para a ciência e a tecnologia,
até 2020, a China pela primeira vez traçou um plano específico para o
desenvolvimento de grãos transgênicos, incluindo soja, que é usada em
alimentos como tofu e molho de soja e também para ração animal, e milho.
O documento, publicado em um site do governo na segunda-feira, recomendou
“estimular a comercialização de novo tipo de algodão resistente a pragas,
milho resistente a praga e soja com tolerância a herbicida”.
O uso da tecnologia no milho foi sinalizado em abril quando uma autoridade
do setor agrícola disse que Pequim poderia dar sinal verde para plantio de
milho transgênico nos próximos cinco anos. O milho é usado principalmente
para ração animal e para produção industrial de itens como amido e
adoçantes e um avanço sobre o setor de transgênicos seria menos polêmico do
que na soja.
O apoio a novas variedades de soja surge em um momento em que a China
busca reformular seu sistema agrícola. Produtores estão sendo encorajados a
mudar de milho para soja e realizar rotação de culturas.
A China deverá produzir 12,5 milhões de toneladas de soja em 2016/17, mas
irá importar um recorde de 86 milhões de toneladas, segundo projeções do
Departamento de Agricultura dos EUA. A China permite a importação de soja
transgênica para uso na ração animal.
Soja resistente a herbicida é plantada amplamente no Brasil e nos Estados
Unidos, maiores produtores e exportadores do grão.
Especialistas dizem que o cultivo de soja transgênica pode sofrer forte
resistência de consumidores e da indústria local, que vende soja não
transgênica com um prêmio em relação à soja importada. As informações
são da Agência Reuters Brasil.
Revisão: Rodrigo Ramos / Agência SAFRAS
