Porto Alegre, 11 de março de 2016 – A forte queda do dólar frente ao real
prejudicou a movimentação com soja no mercado brasileiro nesta semana. Mesmo
com a valorização dos contratos futuros em Chicago, os preços domésticos
cederam nas principais praças de comercialização do país.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos caiu de R$ 73,50 para R$ 71,00
entre os dias 3 e 10 de março. Em Cascavel (PR), o preço baixou de R$ 69,00
para R$ 67,50.
Em Rondonópolis (MT), a cotação recuou de R$ 65,00 para R$ 63,00,
enquanto em Dourados (MS) passou de R$ 63,00 para R$ 60,50. Em Rio Verde (GO),
o preços estabilizou na casa de R$ 62,00.
A pressão sobre os preços no mercado físico foi exercida pelo câmbio.
Em meio ao sentimento de que as investigações da operação Lava Jato possam
levar ao impeachment da presidente Dilma Rousseff, o dólar comercial despencou
4,23%, fechando a quinta cotado a R$ 3,642, o menor nível desde agosto.
Com o dólar em baixa, a soja brasileira perde competitividade e, em
função disso, os produtores se retraíram e preferiram concentrar as suas
atenções na colheita da safra. Produção que promete ser recorde, indicada
pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 101,179 milhões de
toneladas, superando em 5% o total colhido no ano passado e ficando também
acima da estimativa anterior da autarquia, de 10,933 milhões.
O movimento de queda nos preços internos só não foi maior devido ao
desempenho dos contratos negociados na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT).
No período entre 3 e 10 de março, a posição maio acumulou alta de 3,27%,
atingido a casa de US$ 8,92 por bushel.
O ambiente externo de menor aversão ao risco e a queda do dólar frente a
outras moedas asseguraram a alta da soja em Chicago. A semana foi marcada
ainda pela divulgação do relatório do Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos (USDA), na quarta.
Houve duas interpretações do mercado para os números do USDA. O quadro
de oferta e demanda americano colocou alguma pressão nos preços. O USDA
revisou para cima a sua estimativa para os estoques finais americanos, o que já
era esperado pelo mercado.
Mas a relação de oferta e demanda global trouxe algumas surpresas
positivas para os preços. A principal delas foi o corte na estimativa dos
estoques globais. Além disso, o USDA elevou a sua projeção para a demanda de
soja por parte da China, que atingiria a marca de 82 milhões de toneladas, 1,5
milhão a mais do que o estimado anteriormente.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
