Porto Alegre, 11 de março de 2016 – O mercado brasileiro de trigo segue
em ritmo lento de comercialização, aguardando o final da colheita da soja para
após, voltar as atenções ao cereal. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado,
Jonathan Pinheiro, “após os números divulgados nessa semana pelo
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre a oferta e
demanda e mundial, as cotações nas bolsas americanas subiram, fator que
aumentou o spread dos preços internos em relação ao mercado internacional,
e favorecou novas altas no âmbito doméstico”.
“Isso ocorreu por fatores como a escassez de oferta na temporada atual.
Por outro lado, a valorização do real frente o dólar nos últimos dias,
favorece as importações, pois reduz as paridades de importação, e minimiza o
spread em relação ao mercado externo. Países como Uruguai e Paraguai, que
apresentaram bom volume de importações por parte do Brasil estão com
cotações abaixo das praticadas internamente”, finaliza.
Na última quinta-feira (10) a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)
divulgou seu sexto levantamento referente à safra 2015/16. A produção
brasileira de trigo deverá totalizar 5,534 milhões de toneladas na temporada
2016, similar à estimativa prevista em 2015. A área plantada foi indicada em
2,448 milhões hectares, similar a de 2015, enquanto a produtividade média
permanece estimada em 2.260 quilos por hectare
Para a temporada 2015, a Conab indica uma queda de 7,3% na produção frente
às 5,971 milhões de toneladas colhidas na safra 2014. A Conab informou que a
área de 2015 ficou 11,2% abaixo dos 2,758 milhões de hectares da safra 2014. A
produtividade média de 2015 teve alta de 4,4% frente à estimativa da safra
2014, de 2.165 quilos por hectare.
Relatório USDA
O mercado internacional, pautado pela Bolsa de Mercadorias de Chicago
(CBOT, na sigla em inglês), avaliou, nessa semana, os dados divulgados pelo
USDA, em seu relatório mensal de oferta e demanda para o trigo norte-americano
e mundial. O Departamento manteve a estimativa para os estoques finais dos
Estados Unidos em 966 milhões de bushels.
Analistas consultados por agências internacionais, antes da divulgação
do relatório, esperavam a elevação das reservas norte-americanas a 975
milhões de bushels. A safra 2015/16 do cereal no país é projetada em 2,052
bilhões de bushels, mesmo volume estimado no mês anterior.
A safra mundial 2015/16 está estimada em 732,32 milhões de toneladas,
abaixo das 735,77 milhões de toneladas estimadas em fevereiro. Os estoques
finais mundiais de trigo em 2015/16 estão estimados em 237,59 milhões de
toneladas, abaixo das 238,87 milhões de toneladas em fevereiro. O número ficou
dentro das expectativas do mercado, porém abaixo da média, que era de 238,1
milhões de toneladas.
CBOT
Na manhã desta sexta-feira, a CBOT para o trigo operava em leve baixa,
realizando parte dos lucros registrados na quinta-feira, determinados pelas
preocupações em torno do clima seco nas Planícies do Sul dos Estados Unidos,
o que pode afetar o desenvolvimento das lavouras. A fraca demanda para o cereal
estadunidense e a valorização do dólar frente a outras moedas correntes, como
o euro, fator que torna as commodities estadunidenses menos atrativas no
cenário internacional, também ajudaram a pressionar as cotações.
