Porto Alegre, 6 de novembro de 2015 – O mercado brasileiro de soja iniciou
novembro com poucos negócios e preços sob pressão. A combinação de dólar
em desvalorização frente ao real e queda nos contratos futuros pesou sobre as
cotações internas.
Entre os dias 29 de outubro e 5 de novembro, a saca de 60 quilos recuou de
R$ 83,00 para R$ 81,00 em Passo Fundo (RS). Em Cascavel (PR), o preço
baixou de R$ 80,00 para R$ 76,00. Em Rondonópolis (MT), A cotação caiu de
R$ 75,00 para R$ 72,50. Em Dourados (MS), o preço passou de R$ 75,00 para
R$ 74,00, enquanto em Rio Verde (GO) baixou de R$ 76,50 para R$ 76,00.
A semana foi negativa também para os contratos futuros na Bolsa de
Mercadorias de Chicago (CBOT). A posição janeiro acumulou perda de 1,7% no
período, encerrando a quinta a US$ 8,66 por bushel. O enfraquecimento da
demanda pela soja americana completou o cenário fundamental de baixa.
Nas últimas semanas, as compras chinesas vinham compensando em parte a
pressão exercida pela expectativa de ampla oferta mundial. Mas o número para
as vendas semanais americanas divulgado na quinta decepcionou o mercado,
ficando muito abaixo do esperado e causando queda de 2% no pregão de Chicago.
O câmbio também não contribuiu para a aceleração dos negócios nas
principais praças do país. O dólar se desvalorizou 2,1% frente ao real,
devido às ações do Banco Central (BC) para conter o avanço da moeda
americana.
Para a próxima semana, o mercado volta suas atenções para o relatório
de novembro, que será divulgado na terça pelo Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA). Mas as projeções dos analistas indicam mais dados
baixistas.
O Departamento deverá elevar a sua projeção para a safra americana de
soja na temporada 2015/16. A previsão dos estoques deverá apresentar leve
elevação, enquanto o número para os estoques mundiais da oleaginosa deverá
ser mantido.
A previsão é compartilhada por analistas consultados por agências
internacionais. A projeção de safra deverá se indicada em 3,912 bilhões de
bushels, o equivalente a 106,47 milhões de toneladas. Em outubro, o número
ficou em 3,888 bilhões de bushels, ou 105,8 milhões de toneladas. Em 2014/15,
a safra somou 3,927 bilhões de bushels, ou 106,87 milhões de toneladas.
O mercado espera produtividade de 47,5 bushels por acre, contra 47,2
bushels projetados em outubro e 47,5 bushels por acre obtidos no ano anterior. A
área colhida pode ficar em 82,4 milhões de acres, repetindo o que foi
apontado em outubro e ficando abaixo dos 82,6 milhões colhidos no ano anterior.
Para os estoques finais americanos, o mercado aposta em um número de 429
milhões de bushels, contra 425 milhões do relatório anterior. Em 2014/15, os
estoques finais ficaram em 191 milhões de bushels.
Em relação ao quadro de oferta e demanda mundial, a indicação do
mercado é de estoques de 85,1 milhões de toneladas para 2015/16, o mesmo
número indicado em outubro.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
