MILHO/SOJA: Produtores dos EUA lutam com outra super safra

Porto Alegre, 27 de outubro de 2015 – Os armazéns de grãos dos Estados
Unidos estão enchendo tão rapidamente, com a enorme safra que está sendo
colhida, que estão guardando soja e milho a céu aberto mesmo com o risco de
dano por chuva, e até recusando novas cargas de agricultores que não têm
contratos.

A busca por armazenagem mostra que alguns produtores, operadores
logísticos e comerciantes dos EUA se planejaram mal para a produtividade
excepcional e para uma demanda de exportação fraca, mesmo durante o terceiro
ano consecutivo de excesso global de oferta que novamente ameaça reduzir a
receita no campo e abalar ainda mais os preços dos grãos.

Os produtores, que esperam poder aguardar por uma recuperação dos
preços, querem armazenar o máximo possível de suas safras, mas os armazéns
estão rejeitando as entregas físicas por causa da falta de espaço, em alguns
casos por mais tempo do que os produtores conseguem lembrar.

“Estamos sem armazéns” disse Richard Guse, um agricultor de Minnesota,
co-proprietário de um elevador de grãos. “Nossa segunda melhor alternativa
é encontrar um lugar para vender.”

Minnesota, Iowa e Nebraska, que respondem por um terço da produção de
milho e um quarto da de soja dos EUA, tiveram produtividades recordes graças
às condições climáticas quase perfeitas, após o mau tempo no início da
temporada de cultivo ter sugerido que a produtividade poderia cair.

Como resultado, produtores no Sudoeste de Minnesota, por exemplo, estão
recebendo cerca de 15 centavos de dólar a menos por bushel pelo milho e a soja
do que se houvesse espaço suficiente, estima Ed Usset, economista de
marketing de grãos do Centro para Administração Financeira de Propriedades
Agrícolas da Universidade de Minnesota.

Isso significa uma redução ainda mais profunda nos rendimentos dos
agricultores, dado que o preço à vista do milho na região está em cerca de
3,25 dólar por bushel, bem abaixo do custo estimado de produção de 4
dólares, disse Usset. As informações partem do site da Reuters.