Porto Alegre, 25 de setembro de 2015 – O câmbio centrou as atenções do
mercado brasileiro de soja na semana. A forte valorização da moeda americana,
que atingiu o maior nível desde a criação do real, deu ritmo à
comercialização e sustentou os preços nas principais praças do país.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 80,00 para R$ 84,00,
entre os dias 17 e 24 de setembro. No Porto de Rio Grande, a cotação chegou a
R$ 88,00. Em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 75,50 para R$ 78,00 no
período. No Porto de Paranaguá, a saca bateu em R$ 84,00.
Em Rondonópolis (MT), a cotação avançou de R$ 70,00 para R$ 74,00. Em
Dourados (MS), a saca subiu de R$ 73,00 para R$ 77,00. A cotação também
subiu em Rio Verde (GO), passando de R$ 74,00 para R$ 77,00.
Os produtores aproveitaram a alta do dólar para negociar. A moeda
americana chegou a bater na casa de R$ 4,24 na quinta-feira, mas recuou para
R$ 3,992 no final do dia, acumulando uma valorização de 2,8% no período.
Entre os dias 17 e 24 de setembro, os contratos futuros em Chicago
registraram queda de 1,35% na posição novembro, por conta das expectativas
favoráveis em torno da produção americana. Na manhã de sexta, o mercado
reagiu, zerando as perdas.
O motivo da alta foi o acordo fechando entre China e Estados Unidos,
envolvendo a comercialização de 13,2 milhões de toneladas. A negociação já
era esperada pelo mercado, mas o volume ficou acima das mais otimistas
projeções.
Exportações
As exportações de soja do Brasil deverão totalizar 52,25 milhões de
toneladas no ano comercial 2015/16, com avanço de 4% sobre 2014/15, com
embarques estimados em 50,2 milhões de toneladas. A previsão faz parte do
quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por SAFRAS & Mercado. O
esmagamento deverá subir 6%, passando de 40 milhões para 42,3 milhões de
toneladas.
A oferta total de soja deverá subir 8% na temporada, passando para 104,714
milhões de toneladas. A demanda total está projetada por SAFRAS em 97,71
milhões de toneladas, com incremento de 5%. Desta forma, os estoques finais
deverão subir 72%, passando de 4,076 milhões para 7,004 milhões de toneladas.
SAFRAS trabalha com uma produção de farelo de soja de 32,15 milhões de
toneladas, com aumento de 6%. As exportações deverão subir 6% para 16,1
milhões de toneladas, enquanto o consumo interno está projetado em 16
milhões, com elevação também de 6%. Os estoques deverão subir 4%, para
1,431 milhão de toneladas.
A produção de óleo de soja deverá passar de 8 milhões para 8,46
milhões de toneladas. O Brasil deverá exportar 1,45 milhão de toneladas, com
alta de 7%. A previsão é de que 2,75 milhões de toneladas sejam
disponibilizadas para a fabricação de biodiesel, com aumento de 10%. O consumo
interno deve crescer 6% para 7 milhões, contando o uso para o biocombustível.
A previsão é de aumento de 2% nos estoques para 462 mil toneladas.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS
