Porto Alegre, 21 de agosto de 2015 – A semana foi travada no mercado
brasileiro de soja. Chicago e dólar acumularam desvalorização no balanço da
semana, pesando sobre as cotações domésticas e afastando os negociadores do
mercado.
A saca de 60 quilos permaneceu inalterada em R$ 74,50 em Passo Fundo (RS),
entre 13 e 20 de agosto. Em Cascavel (PR), o preço também estabilizou na casa
de R$ 71,00. Em Rondonópolis (MT), a cotação caiu de R$ 64,00 para R$ 63,50.
Em Dourados (MS), a saca baixou de R$ 67,00 para R$ 66,00, enquanto em Rio
Verde (GO) recuou de R$ 64,00 para R$ 63,00.
A pressão foi exercida, principalmente, pelo fraco desempenho dos
contratos futuros em Chicago. Na quarta, a posição novembro atingiu patamares
inferiores a US$ 9,00 por bushel, batendo nos níveis mais baixos em 20 anos.
O clima favorável ao desenvolvimento das lavouras americanas, com
previsão de chuvas acima da média para o mês de setembro, foi responsável
pelo recuo. Entre 13 e 20 de agosto, a posição novembro caiu 2,16%, fechando a
quinta a US$ 9,03.
Outro ponto que ajudou no recuo foi a renovada preocupação com a economia
chinesa. A Bolsa de Xangai teve acentuada desvalorização na semana, com
queda de cerca de 10%. Com isso, cria-se uma dúvida sobre a demanda chinesa
pela oleaginosa. Lembrando que os chineses são os principais compradores mundiais
de soja.
Por enquanto, os números indicam que não há queda na demanda. Em julho,
a China adquiriu o volume recorde de 9,5 milhões de toneladas. Mas é bom
destacar que maior parte destas aquisições foi feita na América do Sul, em
detrimento do mercado norte-americano.
No Brasil, os preços da soja não sofreram tanto impacto em função do
câmbio. Mesmo que o dólar comercial tenha recuado 1,5% no período, a moeda
segue em patamares elevados, tornando a soja brasileira bastante competitiva no
exterior.
Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAF
