Porto Alegre, 19 de junho de 2015 – O mercado brasileiro de soja teve uma
semana de preços firmes e boa movimentação, impulsionado pela valorização
consistente dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). A
elevação nas bases internas só não foi maior devido à queda do dólar
frente ao real.
Em Passo Fundo (RS), a saca de 60 quilos subiu de R$ 65,00 para R$ 65,50
entre os dias 11 e 18 de junho. Em Cascavel (PR), a cotação seguiu em R$
62,00. Em Rondonópolis (MT), o preço passou de R$ 57,00 para R$ 57,50,
mesmo comportamento registrado em Dourados (MS). Em Rio Verde (GO), o
preço pulou de R$ 58,50 para R$ 62,00.
O comportamento do mercado interno foi motivado pela recuperação da Bolsa
de Chicago. Os contratos com vencimento em julho acumularam valorização de
4% no período, fechando a quinta (18) a 9,77 3/4. As preocupações com o clima
nos Estados Unidos deflagrou um movimento forte de cobertura de posições
vendidas, colocando os preços nos maiores patamares em cinco semanas.
O excesso de chuvas em parte do Meio Oeste americano, principalmente os
estados do Missouri e de Kansas, atrasou o plantio e aumentou as especulações
sobre a possibilidade de alguns produtores não finalizarem a semeadura. Com
isso, a área a ser plantada poderia ficar abaixo do esperado inicialmente nos
Estados Unidos.
A tendência é de que as especulações em torno da área se estendam até
o final do mês. No dia 30, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
(USDA) divulgará o relatório de área plantada. Até o momento, o sentimento
é de que a área poderá ser a maior da história americana.
Mesmo que ocorra uma redução por conta das chuvas, o cenário fundamental
é baixista e, por isso, os produtores brasileiros devem aproveitar os momento
de repique de preços, como os dessa semana. Julho rompeu importantes
barreiras e motivou a negociação. Mas dificilmente o mercado romperá a casa de
US$ 10,00 por bushel.
É importante lembrar que não há mudanças bruscas no quadro de ampla
oferta mundial. Brasil e Argentina encerraram a colheita das maiores produções
da história, superando até mesmo as otimistas previsões iniciais.
No início do mês, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou em
um milhão de toneladas a sua estimativa para a safra brasileira, agora
projetada acima de 96 milhões de toneladas. Ontem, o Ministério da Agricultura
da Argentina (Minagri) fez movimento semelhante, elevando a sua estimativa de
60 milhões para 61 milhões de toneladas.
