Porto Alegre, 19 de junho de 2015 – O mercado brasileiro de trigo, que
segue estagnado, deve manter o cenário de poucos negócios pelo menos até a
entrada da próxima safra. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Jonathan
Pinheiro, “isso ocorre, pois há pouco trigo disponível no mercado interno
para comercialização, e a indústria segue bem abastecida e sem necessidade de
voltar as compras no médio e longo prazo”. Mesmo com as variáveis
fundamentais indicando um cenário altista, a tendência é minimizada pela
baixa liquidez do mercado.
Com o recuo do dólar em relação ao real, as paridades de importação
diminuíram o spread em relação ao cereal nacional. Atualmente o trigo
argentino entra no país cerca de 9% acima dos preços praticados no âmbito
doméstico, enquanto o cereal paraguaio está cerca de 4% abaixo dos preços
nacionais. O trigo uruguaio chega a São Paulo por pouco menos de 1% em
relação as cotações internas. O analista ainda ressalta que “o plantio no
Rio Grande do Sul segue atrasado em relação à média para o período, e o
clima volta a ser desfavorável”.
O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da
Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em seu levantamento
semanal, que o plantio da safra 2015 atingiu 82% da área planejada para a
temporada, de 1,322 milhão de hectares, que deve recuar 5% frente à safra
2014, de 1,395 milhão de hectares. O departamento indicou que 97% das
lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento e 3% em condições
médias, divididas entre as fases de germinação (8%), desenvolvimento vegetativo
(88%) e floração (4%).
O Paraná deve colher uma safra de trigo em 2015 de 3,959 milhões de
toneladas, superando em 3% as 3,828 milhões de toneladas colhidas no ano
passado. A produtividade média deve ficar em 2.994 quilos por hectare, 9% acima
dos 2.747 quilos por hectare obtidos na última safra.
Mercado Internacional
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), referência
no mercado internacional de trigo, fechou as operações da última quinta-feira
em leve baixa, realizando lucros após acumular altas ao longo da semana. Os
ganhos anteriores foram sustentados pelas chuvas nos Estados Unidos, que
poderiam prejudicar as condições das lavouras no país. Ontem, porém, o
mercado reverteu o cenário avaliando fatores técnicos, além da baixa demanda
pelo grão norte-americano.
Na última segunda-feira (15), o Departamento de Agricultura dos Estados
Unidos (USDA) divulgou dados sobre as condições das lavouras americanas de
trigo. Segundo o departamento, 43% estão entre boas e excelentes condições,
35% em situação regular e 22% em condições entre ruins e muito ruins. Na
semana anterior, os dados eram respectivamente 43%, 37% e 20%. O USDA
indicou, ainda, que, até 14 de junho, a colheita era apontada em 11%. O
número avançou 7 pontos percentuais desde a semana passada. Em igual
período do ano passado, o número estava em 15% e a média dos últimos cinco
anos é de 12%.
As lavouras norte-americanas de trigo primavera registraram boas
condições. Segundo o USDA, 70% estão entre boas e excelentes condições, 26%
em situação regular e 4% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana
anterior, os índices eram de 69%, 26% e 5%, respectivamente.
Ontem a consultoria francesa Strategie Grains reduziu sua previsão para as
exportações de trigo soft da União Europeia em 2015/16. Conforme o
relatório mensal da consultoria, houve forte competição dos produtores da
região do Mar Negro e uma menor demanda do Oriente Médio. A Strategie Grains
estimou as exportações de trigo soft da UE em 2015/16, em 27,5 milhões de
toneladas, redução de 1,1 milhão ante a previsão anterior. Em maio, a
consultoria já havia cortado sua previsão em 2,6 milhões de toneladas.
Para a agência de estatística francesa, France Agrimer, a produção de
trigo soft do país deve chegar a 37,5 milhões de toneladas na temporada
2014/15. O número fica acima das 36,8 milhões de toneladas estimadas
anteriormente. As exportações do trigo soft da França para fora da União
Europeia (UE) devem cair de 12,2 para 11,1 milhões de toneladas. As
exportações para países da UE devem crescer de 6,8 para 7,7 milhões de
toneladas.
