SEMANA: Trigo brasileiro registra baixa liquidez no mercado em maio

Porto Alegre, 29 de maio de 2015 – O mercado brasileiro de trigo manteve
a baixa liquidez no decorrer do mês de maio. Segundo o analista de SAFRAS &
Mercado, Jonathan Pinheiro, isso ocorre pois a indústria está bem estocada,
além do baixo volume do cereal disponível para a comercialização. Com a
entrada da próxima safra cada vez mais perto, o lado da demanda segue mais
retraído aguardando a queda dos preços.

Já o lado da oferta tem um momento positivo para a comercialização,
devido à forte valorização do dólar, que aumenta as paridades de
importação e abre espaço para elevações no âmbito doméstico. O fator que
minimiza a tendência de alta é justamente a falta de liquidez atual do
mercado. Atualmente o trigo argentino tem entrado no país acima de 10% em
relação aos preços nacionais, o uruguaio cerca de 2% acima, enquanto o
americano hard se mantém acima dos 24% mesmo com as fortes retrações nas
bolsas americanas.

No decorrer dos próximos meses, em caso de manutenção do câmbio nos
patamares atuais, pode ocorrer uma diminuição da pressão baixista da entrada
de safra, que pode vir a compensar a pressão causada pela oferta elevada. No
entanto, em um cenário de nova retração da moeda norte-americana, o trigo
nacional poderá perder competitividade no âmbito internacional, e a pressão
baixista pode ser potencializada.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da
Agricultura e do Abastecimento do Paraná, estimou, em seu relatório mensal,
que a safra 2014/15 de trigo deve chegar a 3,959 milhões de toneladas. O
número fica 3% acima das 3,83 milhões de toneladas produzidas na safra
passada. A área total na safra 2014/15 foi 5% menor do que o ano anterior,
caindo para 1,322 milhão de hectares. O rendimento estimado para a safra atual
é 9% maior do que 2013/14 – 2,99 toneladas por hectare contra 2,75 toneladas
por hectares. Conforme o departamento, o plantio da safra iniciada em 2015
atingiu 61% da área planejada para a temporada. O Deral indica que 96% das
lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento e 4% em condições
médias, divididas entre as fases de germinação (19%) e desenvolvimento
vegetativo (81%). A comercialização da safra já chega a 1%.

No Rio Grande do Sul, conforme boletim semanal divulgado pela Emater/RS, a
cultura de trigo está em início de cultivo, com 11% da área estimada para o
Estado já semeada. Encontra-se em estádio de germinação com poucas lavouras
em emergência. A última semana foi de intensificação no preparo das áreas
destinadas à cultura através da dessecação de plantas invasoras.

No mercado internacional o destaque do mês foi a divulgação do
relatório de oferta e demanda para o trigo do Departamento de Agricultura dos
Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês). O documento trouxe as primeiras
estimativas oficiais para a safra 2015/16. Os dados mais impactantes sobre o
mercado foram a produção e os estoques finais – diretamente ligados à
oferta e à demanda – dos Estados Unidos e do mundo. Apesar da importância
dos números para 2014/15, o destaque ficou por conta das projeções para a
próxima safra.

Analistas de mercado consultados por agências de notícias internacionais
estimaram os primeiros números para 2015/16 antes da divulgação do
relatório. Na média, a produção dos Estados Unidos na temporada foi estimada
em 2,079 bilhões de bushels, abaixo dos dados oficiais, que indicaram 2,087
bilhões de bushels. Os analistas ainda projetaram os estoques norte-americanos
de grãos em 727 milhões de bushels, ficando, também, menores do que o
indicado pelo USDA – 793 milhões de bushels.

A produção global na próxima temporada foi estimada em 718,93 milhões
de toneladas, abaixo das 726,45 milhões de toneladas indicadas para 2014/15. Os
estoques finais mundiais de trigo em 2015/16 foram projetados em 203,32
milhões de toneladas, contra 200,97 milhões de toneladas de 2014/15. Os
analistas esperavam as reservas em torno de 194,2 milhões de toneladas.

Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS