SEMANA: Câmbio se sobrepõe e pressiona preços da soja em abril

Porto Alegre, 30 de abril de 2015 – O mercado brasileiro de soja
apresentou um ritmo lento de negócios durante o mês de abril, reflexo da queda
nos preços no mercado físico. O avanço da colheita e, principalmente, o
recuo do dólar frente ao real prejudicaram a comercialização no período,
apesar da reação dos contratos futuros em Chicago.

A saca de 60 quilos iniciou abril a R$ 67,00 em Passo Fundo (RS) e encerrou
a R$ 63,00. No mesmo período, a cotação caiu de R$ 64,50 para R$ 61,00 em
Cascavel (PR). Em Rondonópolis (MT), o preço baixou de R$ 61,00 para R$ 57,50.

O referencial também recuou em Dourados (MS), com o preço baixando de R$
59,50 para R$ 56,50. Em Rio Verde (GO), o comportamento foi semelhante, com
a saca baixando de R$ 62,00 para R$ 58,50.

A queda nos preços internos foi determinada pelo câmbio. O dólar
comercial acumulou uma desvalorização de 8,5% em abril, por conta de melhoras
no cenário político e um certo otimismo do mercado com o futuro da política
econômica. A moeda americana recuou da casa de R$ 3,23 para R$ 2,96.

No mercado internacional, o período foi de muitas oscilações. No
balanço do mês, os contratos com vencimento em julho, negociados na Bolsa de
Mercadorias de Chicago (CBOT), acumularam uma alta de 1,5%, encerrando a
sessão do dia 29 de abril a US$ 9,92.

A valorização foi consequência de pontuais indicações de aumento na
demanda pela soja americana. Isso ocorreu em um momento em que a demanda,
tradicionalmente, se volta para a América do Sul, onde há maior
disponibilidade do produto com o avanço da colheita.

No médio prazo, no entanto, Chicago não deverá sustentar esta tendência
de alta. Os fatores fundamentais apontam para um quadro se superoferta mundial.
Brasil e Argentina colherão a maior safra da história. Nos Estados Unidos, o
plantio teve início e não há fatores que impeçam os produtores a cultivarem
uma nova área recorde com a oleaginosa.