Porto Alegre, 24 de julho de 2023 – O mercado brasileiro iniciou a semana com as atenções voltadas para o cenário internacional: o recrudescimento da tensão no Mar Negro, com ataques russos à infraestrutura portuária da Ucrânia e com drones ucranianos atacando Moscou e Criméia. O temor de que as exportações de trigo da Rússia também possam ser afetadas levou Chicago ao limite de alta.
Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Elcio Bento, no Brasil, os agentes acompanham de perto, porém, até o momento, sem grandes mudanças na postura. “Os compradores, especialmente no Paraná, contam com a proximidade de uma safra cheia e que transcorre sem grandes problemas”, observou.
Além disso, conforme ele, há reportes de vendas de trigo da safra velha paraguaia a US$ 280/tonelada CIF moinhos (cerca de R$ 1.325/tonelada ao câmbio de hoje). “Apesar de serem volumes pequenos, servem de argumento para que os moinhos achatem suas ofertas”, explicou. A indicação para trigo paranaense no CIF fica entre R$ 1.460 e R$ 1.500 a tonelada. O produtor paranaense segue pedindo entre R$ 1.480/1500 no FOB. No Rio Grande do Sul o produtor segue pedindo R$ 1.300/tonelada e o moinho indica cerca de R$ 1.300/tonelada.
Chicago
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou com preços acentuadamente mais altos. O mercado fechou, mais uma vez, no limite de alta para a sessão, reagindo aos ataques russos às instalações portuárias no rio Danúbio.
Desde a semana passada, após a saída da Rússia do acordo para o corredor de grãos no Mar Negro, Moscou deflagrou diversos bombardeios a portos da Ucrânia. Os primeiros alvos foram a região de Odessa que, apesar do noticiado, ainda não representavam uma baixa expressiva às exportações do país.
Conforme o diretor da SovEcon, Andrey Sizov, a Ucrânia pode escoar mais de 40 milhões de toneladas de grãos através de outras rotas. Os portos do Danúbio, no entanto, são um polo crucial.
Na sexta-feira, Sizov dizia que eventuais ataques a eles seriam “divisores de água”. Concretizados na última madrugada, os bombardeios provocaram uma nova disparada nos preços, que chegaram ao maior nível desde 26 de junho.
A busca por cargas de grãos no Mar Negro caiu 35% na comparação entre a semana passada e a anterior, impactada pela crescente incerteza sobre o tráfego comercial. Seguradoras já estudam a continuidade, ou não, da cobertura de embarcações na região. Os preços dos seguros devem continuar subindo.
Completando o quadro altista, aparecem as inspeções de exportação dos Estados Unidos, que, apesar de acima do esperado, seguem abaixo do ritmo do ano passado. As inspeções somaram 358.796 toneladas na semana encerrada no dia 20 de julho, conforme relatório semanal divulgado pelo USDA. O mercado esperava 250 mil toneladas. Em igual período do ano passado, o total inspecionado fora de 475.526 toneladas. No acumulado do ano-safra, iniciado em 1o de junho, as inspeções somam 2.152.702 toneladas, contra 2.591.848 toneladas no acumulado do ano-safra anterior.
No fechamento, os contratos com entrega em setembro eram cotados a US$ 7,57 1/2 por bushel, alta de 60,00 centavos de dólar, ou 8,6%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em dezembro eram negociados a US$ 7,77 1/2 por bushel, ganho de 59,75 centavos, ou 8,32% em relação ao fechamento anterior.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 1,00%, sendo negociado a R$ 4,7330 para venda e a R$ 4,7310 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,7230 e a máxima de R$ 4,7830.
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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