Porto Alegre, 21 de junho de 2023 – O mercado brasileiro de trigo segue apenas com negócios pontuais. O analista de SAFRAS & Mercado, Elcio Bento, destaca o reporte de um lote da safra nova gaúcha a R$ 1.200/tonelada sobre rodas no porto de Rio Grande/RS.
“Os compradores seguem cautelosos, entrando no mercado para aquisições pontuais e se retirando. Uma posição mais agressiva, num momento de entressafra, poderia aquecer as cotações. Na outra ponta, é possível perceber que o produtor vem elevando suas pedidas”, disse.
Segundo ele, até a semana passada, havia interesse em negociar a R$ 1.300/tonelada FOB interior gaúcho. Nesta quarta-feira, esse valor é observado apenas para trigo mal localizado. Para produto bem localizado, as pedidas se elevaram para entre R$ 1.350/1400 a tonelada, dependendo da qualidade e do prazo de pagamento/retirada. “Até o momento, contudo, os compradores seguem na defensiva e céticos em aceitar esses preços mais altos”, salientou.
No Paraná a dinâmica de comercialização é parecida: base de compra no FOB a R$ 1.450/tonelada. “Com o trigo argentino pouco competitivo internamente, os agentes desse mercado seguem tendo como baliza para a formação de preços o comportamento verificado no Rio Grande do Sul”, explicou.
Chicago
A Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) para o trigo encerrou com preços acentuadamente mais altos. O mercado fechou a quarta alta consecutiva. Os preços chegaram ao maior nível desde 24 de fevereiro. A alta percentual de hoje foi a maior para o contrato spot desde 20 de setembro de 2022.
O cereal foi impulsionado pela piora significativa nas condições das lavouras dos Estados Unidos, que ficaram muito abaixo do esperado por analistas e pelas preocupações com o Mar Negro. De acordo com a QTInfo News, traders afirmam que o tamanho da queda é uma surpresa e que parece não ser temporário. O bom desempenho do petróleo e o recuo do dólar também favoreceram a disparada o grão.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgou dados sobre as condições das lavouras americanas de trigo primavera. Segundo o USDA, até 18 de junho, 51% estão entre boas e excelentes condições (o mercado esperava 58%), 37% em situação regular e 12% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana passada, os percentuais ficavam em 60%, 33% e 7%, respectivamente.
Já em relação as lavouras americanas de trigo de inverno, segundo o USDA, até 18 de junho, 38% estavam entre boas e excelentes condições (o mercado esperava 38%), 33% em situação regular e 29% em condições entre ruins e muito ruins. Na semana passada, as condições se dividiam em 38%, 31% e 31%, respectivamente.
De acordo com a Reuters, o Kremlin reiterou sua posição de que não há razão para estender o acordo de grãos do Mar Negro, dizendo que a mediação pela Turquia e pelas Nações Unidas não foi implementada adequadamente.
No fechamento, os contratos com entrega em julho eram cotados a US$ 7,34 1/2 por bushel, alta de 38,75 centavos de dólar, ou 5,56%, em relação ao fechamento anterior. Os contratos com entrega em setembro eram negociados a US$ 7,48 1/4 por bushel, ganho de 39,50 centavos, ou 5,57% em relação ao fechamento anterior.
Câmbio
O dólar comercial encerrou a sessão em baixa de 0,60%, sendo negociado a R$ 4,768 para venda e a R$ 4,766 para compra. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a mínima de R$ 4,762 e a máxima de R$ 4,816.
Gabriel Nascimento (gabriel.antunes@safras.com.br) / Agência SAFRAS
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