ARGENTINA: Milho e soja se deterioram sem chuvas: quando haverá chuvas

   Porto Alegre, 05 de janeiro de 2022 – As chuvas do dia 1 de janeiro não foram suficientes para o milho na Argentina. A semeadura precoce nas províncias de Santa Fé, Córdoba, Entre Ríos e Buenos Aires encontra-se em uma situação muito delicada: na orla oriental do país constatam-se perdas de safra de 20% a 40%. As informações partem do Clarin.

   As safras da Argentina estão passando por uma tempestade perfeita: todas as variáveis parecem ter se alinhado para colocar soja e milho nas cordas. Duas semanas atrás, a Argentina tinha excelentes chances de ter uma safra recorde de milho novamente (ultrapassando 56 milhões de toneladas pela primeira vez e se aproximando de 50 milhões de toneladas em soja).

    Mas, nos últimos 15 dias de 2021 houve uma mudança drástica, explicou a Bolsa de Valores de Rosário em seu relatório. As chuvas pararam quase que semanalmente e as temperaturas começaram a subir para ultrapassar os 40  C. Soma-se a isso o problema de passar o verão com a La Niña, que, embora leve, está montada na do ano passado. Acima há um centro de alta pressão posicionado no centro do país que funciona contra chuvas fortes.

    O que os engenheiros avisaram em setembro se tornou realidade: sem água nas camadas profundas do solo, 15 dias de calor e nenhuma chuva foram suficientes para colocar em cheque a pesada estação. Outro fator que também atenta é que até meados de dezembro as lavouras apresentavam excelentes taxas de crescimento vegetativo, razão pela qual foram alcançadas grandes plantas que aceleraram ainda mais a secagem dos perfis.

   As chuvas deixaram em média 15 mm. A cidade que mais recebeu água foi Pergamino com 30 mm; As cidades de Córdoba no oeste da região não registraram chuvas como Colonia Almada, Bengolea, Hernando ou Pozo del Molle. A zona privilegiada desta vez foi uma área que se estende ao redor de Rosário por cerca de 150 a 200 km, incluindo o NE de Buenos Aires onde as chuvas foram de 20 a 25 mm.

   Em Buenos Aires as chuvas cobriram uma estreita faixa que se estende do centro leste ao SE com 10 a 15 mm. Em Córdoba, parte do território meridional e oriental chegava a 5 a 15 mm. Em Santa Fé o centro provincial se destaca: Sunchales registrou 24mm e Rafaela 13mm. Também havia 10 a 15 mm no norte de Santa Fé, embora Reconquista tenha atingido 21 mm. No Chaco, destaca-se o valor medido em Saenz Peña com 50 mm. Mas para a zona agrícola, no leste, era menos: Las Breñas media apenas 10 mm. Outro foco bem específico foi no sul de Jujuy com 30 mm.

    O milho de primeira classe ocupa 44% do total semeado com cereal na Argentina, ou seja, 3,5 M ha. Infelizmente, em nenhuma região as chuvas foram suficientes para conter os danos à produção. A safra está muito comprometida, principalmente nas épocas de semeadura tardia em grande parte das províncias de Entre Ríos, Santa Fé, Córdoba e Buenos Aires. Perdas de lotes e prejuízos a rendimentos que variam de 20 a 40% já foram confirmados na orla oriental do país. O milho precoce é o que tem maior potencial de produção, portanto a estimativa de produção argentina de milho deve sofrer forte recuo neste ano.

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