SOJA: Camex vota pedido para retirar TEC sobre compras de fora do Mercosul

    Porto Alegre, 15 de outubro de 2020 – O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) vai votar na sexta-feira o pedido para retirada das tarifas de importação (TEC) incidente sobres soja em grão (8%), farelo de soja (6%) e óleo de soja (10%) de países de fora do Mercosul.

    Se aprovada, a resolução deve permitir a compra sem taxa até 15 de janeiro do ano que vem, quando já estará em andamento a colheita desta safra 2020/21 no Brasil. Não haverá cota para a isenção. Todo o volume importado no período previsto deverá ser desonerado.

   O Valor Econômico apurou que o Ministério da Agricultura ainda tenta incluir na pauta da Camex – que teve reunião remarcada para sexta (16) – o pedido de isenção também para a importação de milho até o fim de março de 2021. O cereal de fora do Mercosul paga 8% para entrar no Brasil.

   A proposta de isentar as importações foi apresentada pelas indústrias de aves e suínos, mas conta com o apoio das empresas processadoras de grãos. A justificativa é a alta histórica nos preços das duas commodities no mercado doméstico, graças demanda internacional aquecida e ao câmbio favorável.

    Mesmo com a isenção, a cadeia produtiva de soja não deverá sentir efeitos negativos. Isso porque quase 100% do grão colhido na safra 2019/20 já foi vendido e quem tiver estoque ainda será bem remunerado mesmo com a desoneração para a entrada do produto de outros países.

    A isenção tende a beneficiar sobretudo os Estados Unidos, que são o segundo maior país produtor e exportador de soja do mundo e onde a colheita começou no mês passado. Vale lembrar, ainda, que as mesmas multinacionais que lideram processamento e exportações no Brasil encabeçam essas atividades nos EUA.