Porto Alegre, 4 de agosto de 2017 – Com os produtores brasileiros
estocando soja em razão dos baixos preços, a Bunge (BG.N) está buscando
mudar a forma como compra safras em um esforço para impulsionar as vendas
e restabelecer as margens de lucro.
A Bunge, uma das maiores processadoras globais de oleaginosas, quer que os
produtores concordem em vender suas safras futuras, antes da colheita,
oferecendo a eles ajuda extra com serviços, tais como financiamento e
gerenciamento de risco de preço, disse o presidente-executivo da companhia,
Soren Schroder, em uma teleconferência com analistas na quarta-feira.
“Sentimos que podemos intensificar isso”, afirmou. “É nosso objetivo
reinventar a maneira como negociamos com o produtor.”
A Bunge e seus concorrentes sofreram com o fato de os produtores brasileiros
estocarem a soja da safra deste ano, em vez de comercializá-la em meio às
cotações baixas. Isso reduziu as margens, forçando as companhias a competir
entre si para adquirir o produto, apesar das amplas reservas.
No Brasil, empresas como Cargill [CARG.UL] geralmente fornecem insumos aos
produtores, como químicos e sementes, em troca da venda futura de parte da
colheita deles para elas, disse John Baize, consultor de política e comércio
agrícola internacional. Com esses acordos, os produtores não precisam fazer
empréstimos para adquirir os materiais.
A Cargill não tinha um comentário imediato sobre o plano da Bunge de
fortalecer suas ofertas. A Archer Daniels Midland (ADM) (ADM.N), outra rival,
disse em comunicado que está “sempre evoluindo sobre como pode trazer mais
valor a essas importantes relações” com produtores brasileiros.
A movimentação da Bunge é a última dentre as grandes empresas de grãos
para lidar com a ampla oferta global, que colocou os preços para baixo e
reduziu a volatilidade essencial para ganhos.
Na quarta-feira, a Bunge manteve as portas abertas para uma possível venda
após reportar queda de 34 por cento no lucro do segundo trimestre. A empresa
também cortou suas projeções para os ganhos do segmento de agronegócio
justamente em razão das vendas menores por produtores brasileiros. As
informações são da Agência Reuters Brasil.
Revisão: Rodrigo Ramos (rodrigo@safras.com.br) / Agência SAFRAS
