Produtor de soja segue negociando pouco no Brasil

Porto Alegre, 25 de janeiro de 2019 – O mercado brasileiro de soja teve
mais uma semana de raros negócios e de preços mistos nas principais praças do
país. O atual nível de preço não anima os produtores, que negociam apenas o
necessário e priorizam o acompanhamento das lavouras e os trabalhos iniciais
de colheita.

Os contratos futuros em Chicago oscilaram bastante durante a semana, mas
vão encerrando praticamente zerados. Na manhã da sexta, a posição março
operava na casa de US$ 9,15 por bushel. A semana foi de poucas novidades e a
falta de avanço nas negociações entre China e Estados Unidos para resolver o
impasse comercial entre os dois países dificultou a adoção de um
direcionamento.

A paralisação do governo americano também contribuiu para exercer
pressão sobre as cotações. O mercado se ressente dos dados de vendas
líquidas semanais americanas, novas vendas por parte dos exportadores privados
e perdeu também o referencial do tradicional relatório de oferta de demanda do
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que não foi divulgado
nesse mês.

Equilibrando os preços futuros está a preocupação com os efeitos da
estiagem sobre a safra brasileira. Nessa semana, o Departamento de Economia
Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura daquele estado indicou que a
produção deverá cair para 16,8 milhões de toneladas. No ano passado, a safra
do paranaense foi de 19,2 milhões.

Mesmo com produtividade menor, a colheita avança de forma acelerada em boa
parte da área produtora do país. Este aumento na disponibilidade, aliado à
menor demanda chinesa, prejudica o mercado de exportação, mesmo que os
prêmios tenham subido, compensando perdas pontuais de Chicago e na
expectativa, ainda que tímida, do retorno da China ao mercado, justamente pela
falta de consenso com os norte-americanos.

O câmbio mostrou um dólar mais alto, na casa de R$ 3,77. A moeda
acompanhou a tendência externa e refletiu um certo desapontamento com a
participação da delegação brasileira no Fórum de Davos.

Dylan Della Pasqua (dylan@safras.com.br) / Agência SAFRAS