Semana: Clima Seco e oferta limitada sustentam mercado do milho

SAFRAS (07) – O mercado brasileiro de milho encerra a primeira semana de fevereiro com um quadro de sustentação nos preços. Segundo o analista de SAFRAS & Mercado, Fernando Iglesias, o ritmo de negócios esteve apenas razoável ao longo dos últimos dias, uma vez que as ofertas disponíveis de milho se mostraram mais restritas.

Ele destaca que dois fatores nortearam o desempenho do setor nos últimos dias. “O primeiro foi que o mercado concentrou suas atenções na colheita de soja, voltada especialmente à exportação, o que reduziu a oferta de fretes, tornando seus preços ainda mais elevados, o que acabou trazendo sustentação ao mercado de milho, uma vez que a colheita da safra verão ainda não disponibiliza grandes volumes de ofertas no Centro-Sul do Brasil”, explica.

O segundo fator que ajudou a valorizar as cotações do cereal foi o clima, uma vez que a estiagem registrada em boa parte do Brasil vem afetando o desenvolvimento das lavouras de verão que ainda estão por colher (reduzindo as expectativas de rendimento médio), bem como mantendo as atividades de plantio da segunda safra de milho em um ritmo bastante lento.

Conforme levantamento realizado por SAFRAS & Mercado nas regiões produtoras, a previsão de que as chuvas de bom volume sejam retomadas apenas a partir do dia 14 em partes da região Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Essa condição torna a decisão de avançar no plantio da safrinha um tanto quanto arriscada neste momento, especialmente em razão das temperaturas estarem muito elevadas, até mesmo acima da média histórica em algumas localidades.

Nas exportações, dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), pertencente ao do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), indicaram que as exportações de milho do Brasil renderam US$ 572,7 milhões em janeiro, com média diária de US$ 26 milhões. A quantidade total de milho exportada pelo país chegou a 2,925 milhões de toneladas, com média diária de 133 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 195,80.

Entre dezembro e janeiro, houve uma baixa de 10% no valor médio exportado, uma retração de 9,5% na quantidade e uma baixa de 0,6% no preço médio. Na relação entre janeiro de 2014 e o mesmo mês de 2013, houve baixa de 39,5% no valor total exportado, perda de 13,2% na quantidade total e desvalorização de 30,3% no preço médio.

Iglesias salienta que o desempenho dos embarques foi positivo no primeiro mês do ano, embora a expectativa para fevereiro seja de uma menor movimentação nas vendas externas, mesmo como o câmbio favorável. “Os agendamentos de embarques nos portos tendem a ficar praticamente concentrados na soja a partir de agora”, alerta.

A análise SAFRAS & Mercado indicou que o preço do milho em São Paulo para venda ficou em R$ 29,00 em Campinas, contra R$ 27,50 na semana passada. Em Minas Gerais, a cotação da saca de milho para venda subiu R$ 1,50 na semana, chegando a R$ 25,00 em Uberlândia.

Em Goiás a saca de milho foi negociada em Rio Verde a R$ 23,00, alta de R$ 1,00 ante a semana anterior. Em Mato Grosso do Sul, a saca em Dourados foi vendida a R$ 21,00, ante R$ 19,50 na semana passada. No Mato Grosso, a saca foi vendida em Rondonópolis a R$ 21,00, contra valor de R$ 18,50 na semana passada.

No Paraná, a cotação do milho para venda subiu R$ 3,00 em Paranaguá, chegando a R$ 29,00 CIF. Em Campo Mourão, a saca foi vendida a R$ 24,00 ante os R$ 23,50 praticados na semana anterior. Em Santa Catarina, a cotação em Chapecó teve elevação de R$ 25,00 para R$ 26,00 na venda. No Rio Grande do Sul, a cotação em Erechim teve alta de R$ 0,50, chegando a R$ 26,50.

Na Bahia a saca de milho foi vendida a R$ 28,00 em Barreiras, alta de R$ 2,00 ante à semana passada, enquanto em Fortaleza o preço da saca de milho subiu de R$ 35,00 para R$ 36,00.